Sangria e suplemento de caixa: o que é e por que registrar
Sangria é a retirada de dinheiro do caixa durante o turno; suplemento é o reforço de troco. Registrar as duas é o que faz o fechamento bater no fim do dia.
Sangria é a retirada de dinheiro do caixa durante o expediente. Suplemento, também chamado de reforço, é a entrada de dinheiro que não veio de venda — normalmente troco trazido do cofre.
As duas precisam ser registradas na hora em que acontecem. Não por burocracia: é o que permite ao sistema saber quanto deveria haver na gaveta no fechamento.
Por que fazer sangria?
Por segurança, principalmente. Caixa com muito dinheiro é risco para quem opera e prejuízo maior em caso de assalto.
A prática comum no varejo é definir um teto — R$ 500, R$ 1.000, o que fizer sentido para o movimento da loja — e retirar o excedente sempre que passar disso, levando ao cofre.
Há também as sangrias de necessidade: pagar um entregador, comprar algo urgente, mandar troco para outro caixa.
Por que fazer suplemento?
Porque troco acaba. Numa manhã de movimento, as notas de dois, cinco e dez somem rápido, e o caixa fica sem como devolver troco.
O suplemento é o dinheiro trazido do cofre para recompor. Como não é venda, precisa ser lançado — senão o sistema vai achar que aquele dinheiro apareceu do nada.
O que acontece se eu não registrar?
O fechamento não bate, e a diferença será exatamente o valor não lançado.
Um exemplo: o sistema calcula que deve haver R$ 1.850 na gaveta. Você conta e encontra R$ 1.350. Faltam R$ 500 — que estão no cofre, porque alguém fez uma sangria e não lançou.
Ninguém roubou nada. Mas alguém vai passar trinta minutos descobrindo isso, e a suspeita fica no ar enquanto isso.
Qual o melhor momento para lançar?
Antes de mover o dinheiro, não depois.
Lançar primeiro e pegar o dinheiro em seguida cria um hábito à prova de esquecimento. O contrário — pegar e "lançar já já" — falha sempre que o movimento aperta.
O que escrever no motivo?
Algo que você entenda daqui a um mês, sem lembrar do dia.
Bom: "Depósito Bradesco 14h30", "Pagamento entregador Lalamove", "Troco para caixa 2".
Ruim: "saída", "retirada", "cofre", em branco.
O motivo aparece no relatório do caixa e é a primeira coisa que alguém lê quando tenta entender o que aconteceu num dia atípico.
Sangria entra no faturamento?
Não. Sangria não é despesa nem receita: é movimentação de dinheiro entre lugares seus — da gaveta para o cofre.
O erro de lançar sangria como despesa infla o custo do mês e derruba o lucro no papel, quando o dinheiro só mudou de lugar.
Se a sangria foi para pagar alguma coisa, aí sim existe uma despesa — mas ela é lançada como despesa no financeiro, além da sangria no caixa.
Quem pode fazer?
Idealmente, quem opera lança e quem supervisiona confere. Em loja pequena, é a mesma pessoa — e nesse caso o registro fica ainda mais importante, porque não há uma segunda pessoa para lembrar.
Vale restringir a operação por perfil de usuário quando há mais de um operador: o caixa lança sangria, o gerente cancela venda.
Como funciona no InsoftERP
Sangria e suplemento têm tela própria na frente de caixa, com valor e motivo, e também podem ser lançados de dentro do fechamento — para o caso da última retirada do dia.
A lista mostra tudo o que foi lançado no caixa, com o total no topo: com sinal negativo e em vermelho para sangria, positivo e em verde para suplemento. No resumo do caixa, os dois aparecem separados, com a legenda "saiu do caixa" e "entrou no caixa" — porque o sinal é o que mais confunde quem está aprendendo.